Ataques terroristas contra governos são o próximo desafio a ser enfrentado pelos órgãos de segurança cibernética. O alerta foi dado por Eugene Kaspersky, fundador do Kaspersky Lab, em visita ao Brasil na última semana. Para o executivo, os governos do mundo não estão minimamente preparados para este tipo de ameaça, e precisam começar a se preocupar com isso.
“Estamos chegando à quinta onda de ataques, que deve afetar empresas e governos, mas estes estão menos preparados para enfrentar ameaças do que as corporações”, disse. A primeira onda foi a dos vírus criados por diversão, onde o único objetivo de seus criadores era conquistar a fama.
A segunda onda foi a do ativismo na internet, com o roubo de dados de grandes grupos como forma de penalização. A terceira onda foi criada pelos cibercriminosos tradicionais com o objetivo de clonar cartões e roubar dados de bancos. Na quarta onda, estes criminosos se profissionalizaram ainda mais, passando a atacar alvos específicos.
Na quinta onda o mundo chega a ataques ainda mais complexos, que têm como objetivo espionagem e o uso de armas cibernéticas para atos terroristas via internet. “Esta última tende a crescer mais e mais, porque hoje dependemos da internet para tudo. A tendência é que vejamos mais ataques como estes no futuro”, prevê Kaspersky.
Apesar dos alertas, o executivo afirma que os governos de todo o mundo – e aqui não há exceções – têm demonstrado preocupação com o tema, mas não sabem o que fazer. Os que fazem algo, estão fazendo na direção errada. “Alguns têm usado hackers para criar meios de atacar outros governos, mas não para criar defesas”, diz. Prova disso é que, na maioria dos casos, a questão está sob a alçada de militares.
“A internet deveria ser uma zona desmilitarizada”, diz. Ele afirmou que há três semanas, em Londres, representantes de vários países estiveram reunidos para discutir o tema, mais especificamente o controle governamental sobre a internet, com o qual ele concorda. “Não há dúvidas de que este é um meio de reduzir o cibercrime”, afirmou.
Usuários domésticos
Para os usuários domésticos e empresas, a próxima fronteira de preocupação serão os smartphones. Para Kaspersky, a única diferença existente hoje entre os smartphones e os PCs são os sistemas operacionais. “Ainda não há muitos vírus para smartphones, mas isso porque ainda é mais fácil ganhar dinheiro atacando desktops e porque os engenheiros de malware ainda precisam aprender mais sobre o sistema”, explicou.
Ainda assim, ele lembra que é tudo uma questão de market share: a partir do momento em que os smartphones se tornarem mais e mais populares, e surgirem mais oportunidades de crimes, os criminosos vão migrar. Nesta guerra, os mais ameaçados são os aparelhos equipados com o Android. “Ele é mais ameaçado por ser open. É mais difícil desenvolver software para sistemas fechados”, disse.
Para quem acha que esta também é uma ameaça distante, um recado: hoje há mais malwares para Android do que para o Symbiam, que tem mais tempo de mercado. Mais: até aqui, o Kaspersky Lab já identificou 4,7 mil assinaturas de malware para o Android.










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